Diário das férias, 3

por aderaldo

Janeiro, dia 7, tarde

O centro da cidade de Areia não é bem um centro. É uma rua estreita equilibrando-se sobre abismos. Um traço, corda-bamba sobre o incandescente espinhaço da serra. Dali, ela desce em tentáculos pelas encostas. Capilares perdendo-se nos vales, nos quais infalivelmente há um olho d’água. O marco talvez seja o obelisco da praça da antiga prefeitura, agora restaurada com seus azulejos desenhados. E meus filhos estavam ali. Vi-os da janela do ônibus e da janela fez-se um retrospecto imagético por alguns segundos, cada um deles, três, não eram mais que bebês e já se passaram dezesseis anos do mais velho, quatorze da do meio e treze do caçula.

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