Para Iêda, no sétimo ano

por aderaldo

Em 21 de setembro de 1999 eu me despedia da sala na qual trabalhei por sete longos e infrutíferos anos
Retiro do nosso diário secreto estas passagens

Estou nessa sala que agora sinto empoeirada e velha.
Um carpete cor de lodo, quatro computadores
ultrapassados, duas televisões e dois vídeos, vários
rádio-gravadores e uma mini-biblioteca que nada mais
me diz. Entre eles vou resgatando papéis do meu
passado recente e coisas um pouco mais antigas. No
ocaso da minha estada aqui eles estão obsoletos. Uns
vão para o lixo repousar tranquilos depois de me terem
servido e cumprido o tempo de sua vida útil. Outros
não me servem mais e acho que também vão para o lixo.
Entre minhas coisas, aqui neste bureau onde sentei
tantas vezes, está algo, ou estão coisas que me enchem de
lágrimas os olhos e de saudade o coração. Do lado
direito três moleques sapecas sorriem e dão o ar de
sua presença forte a me empurrar para o futuro. Do meu
lado esquerdo tuas fotos que me fitam de fato. Linda
mulher e lindos meus filhos. Pelejarei por eles,
vencerei tempestades e furacões e um dia descansarei
tranquilo na rede que o céu me destina e nos teus
braços serei também guri, enquanto meus pequeninos,
naquele dia já homens, velarão por mais um de seus
antepassados.

Estou aqui na minha ex-sala.

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