Outras sextilhas

por aderaldo

Novas sextilhas da comunidade Cordel, no Orkut. A brincadeira, lá, funciona como um diálogo no qual se lança um tema e os outros vão seguindo respondendo no mesmo tom até que alguém dita outro caminho. Reproduzo as sextilhas que postei, aparentemente não terão sequência temática, nem unidade. É verdade. São apenas fragmentos de um diálogo infindável.

Meu coração é fogueira
Ardendo no seu calor
pulsando em brasa queimante
o vermelho é sua cor
sangue e chamas se cruzando
no caldeirão do amor!

A sextilha é uma estrofe
Que tem seis versos somente
Seis versos de sete sílabas
Rimando insistentemente
O segundo com o quarto
E o sexto fecha a corrente!

O verso tem vida própria
rebelde, contra a corrente
Precisa ter rédea curta
preso com a corda decente
se der muita corda a ele
ele se escapa da gente.

Há o verso traiçoeiro,
enganador de cristão.
Lhe convence que é seu,
Jura com convicção.
Quando você se descuida,
Escapa de sua mão.

Esse negócio de dar
é coisa bem complicada
porque o verso taludo
quer a coisa apimentada
desejando lhe pegar
com a calça toda arriada!

e engana quem vai embora
abandonando o cordel
devemos participar
transformando o fel em mel
À Vica que aqui fica
Eu retiro meu chapéu

O porco chia na morte
o cisne canta ao morrer
o coral dos andorinhas
quando vai anoitecer
o galo solfeja a música
chamando o sol pra nascer.

O candidato quer votos
prometendo leite e o mel,
roupa pr’o descamisado,
Livro, caneta, papel
Só não pode prometer
Sextilhas para o cordel

O nascimento se dá
depois da concepção
que se segue após a cópula
que vem depois do tesão
mas sem o bicho de pé
todo movimento é vão!

Dizem que com a cabeça
o homem tem que pensar
Porém há duas cabeças
que não querem concordar
Se uma delas não pensa
depois vai se lamentar!

As cabeças que eu tenho
vivem me dando alegria
pra elas dou proteção
também faço assepsia
Enquanto a de baixo age
a de cima fantasia!

Palavras, atos e toques
olhares, beijos, gemidos
suores, odores, seivas
mucosas, pele, tecidos,
sobre a cama dos amantes
lençóis e corpos despidos

A vida nunca adormece
E o tempo não tem senhor
A vida é paço e passagem
O tempo é rio e rumor
A vida e o tempo enrugaram
A alma do cantador!

No tempo de eu criança
Tinha tempo para tudo
Tinha tempo para o jogo
Tinha tempo para o estudo
Mandava o tempo calar-se
E o tempo ficava mudo!

Um caminho a ser seguido
Dois homens nele passando
Três dias ferindo os pés
Quatro noites caminhando
Cinco mágoas em seus peitos
Seis cordas os acalentando

Um cesto de manga espada
na missa de sétima hora
às oito brechas da noite
retirando os nove fora
a camisa dez do Rei
onze pernas de caipora

Foram doze badaladas
Dia treze, sexta-feira,
É “catorze” ou é “quatorze”?
Quinze anos, moça inteira.
Dezesseis qual é o bicho?
Diga, Valdir Oliveira!

Dezessete, idade ingrata,
Dezoito, vou me alistar
Dezenove perdi tempo
Com vinte, quero casar
Vinte e um só no baralho!
Responda, vicalomar!

Ah, meu Deus, se eu tivesse
o furor da juventude
para lançar as palavras,
sendo leve, ou sendo rude,
quebrando o verso e a rima
matando sua saúde!

Oigatê, como faz frio
nesse tal de mês de agosto
Morei em Uruguaiana
Saí de lá com desgosto
por causa de uma chinoca
que não quis beijar-me o rosto!

Agora faço as perguntas
para ver quem é o mala:
Por onde o morcego vê?
Por onde a cigarra estala?
Como é que as cobras transam?
Como o ventríloquo fala?

Por onde é que a água entra
lá no coco da palmeira?
A raiz da macaíba,
e o caule da bananeira
Onde é que se encontram?
Responda essa brincadeira!

Cozinha é comigo mesmo
quando a comida tá feita
Vá devagar no bendito
Porque se não dá maleita
Caganeira de apito
Com a tripa gaiteira estreita!

em termos alteridade
o calmo se açodará,
A patuléia se perde
e a choldra vacilará.
Os capitéis do respeito
Outrem nos ofertará?

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