Temas do Cordel

por aderaldo

Às vezes, acho que há uma resistência dos poetas cordelistas ao debate, ao estudo, à averiguação de elementos básicos da literatura de cordel. Militar no cordel não é só desenvolver motes e glosas, é uma confissão, uma profissão de fé. Talvez por isso haja tanto equívoco e tanta rasura no rascunho cordélico. Este tópico é de fundamental importância para o conhecimento do embrião cordeliano. Diz respeito ao início oral desse gênero. Tenho discordado do parentesco fraternal entre cordel e oralidade. Dizer que o cordel teve raiz na poética dos cantadores (na oralidade), ao meu ver, embarca num equívoco de averiguação. A sextilha do cordel não é a sextilha da cantoria. Ao contrário: a sextilha do cordel é que deu origem à sextilha no repente. É um caminho inverso ao que aconteceu naturalmente em outros gêneros. Como sabemos a cantoria era, na origem, cantada em quadras. Em algum momento passou a sextilhas, influenciada, isso sim, pelo papel da sextilha cordélica. A sextilha, escrita, aparece já nas canções medievais e nos seiscentos, com Camões e outros. No Brasil, desde Anchieta que a sextilha escrita se faz presente. No romantismo, em 1848, Gonçalves Dias solidifica de vez a sextilha na literatura brasileira com as Sextilhas do Frei Antão. Considerando que a Literatura de Cordel (nome que me é indeglutível) apareceu no final do séc. XIX, portanto na vigência romântica, entendo provável a sua raiz erudita, trazendo como prova os primeiros “romances” (de romântico) para os folhetos.

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