Um acróstico de Marco Haurélio

por aderaldo

Alguém aí deve se lembrar de Jovino dos Santos Neto. Se não lembra ou não conhece é só fazer a tradicional e já manjada busca no Google, o nosso melhor amigo neste fim de tempos. Pois bem, Jovino conseguiu um patrocínio pela Petrobrás e fez jus ao prêmio, produziu o CD Alma do Nordeste, algo superior em termos de música instrumental e poesia. Poesia? É, poesia! Jovino teve a delicadeza de convidar o poeta Marco Haurélio (que aparecerá nos créditos como Marcus, nome de batismo) para ilustrar sua música. É coisa de primeira. O motivo de eu comentar aqui, agora, é o fato de uma resenha que li no prestigioso site jazzístico All About Jazz escrita pelo consultor do site Martin Gladu ignora totalmente os versos de Haurélio (ele também não precisa entender, claro) e diz a certa altura:

“Exemplificando o velho ditado que toda música é tradicional, a faixa que abre o disco “Festa na Macuca” relembra o toque do acordeon ouvido em ocasiões festivas na Louisiana. Dentro da herança africana e consequentemente mais ritualística, “Passareio” é uma vinheta percussiva, com um par de flautas “chorando” sobre sons naturais com ritmo repetitivo da batida da bateria.”

Festa na Macuca foi inspiração de Lousiana, segundo Gladu. O Jovino pode até ter ouvido sanfona em Lousiana, mas aquela da alma talvez tenha sido ouvida em algum arrastapé.

A Fazenda da Macuca fica em Pernambuco e sedia um lúdico festival de Jazz todos os anos, geralmente em dezembro.

Citei o Marco Haurélio porque detive-me no seu cordel A história de Belisfronte, o filho do pescador, mais um título da Luzeiro. Deixo aqui o acróstico, que é uma outra característica da poesia tradicional dos folhetos de cordel para evitar a pirataria:

H oje ainda se comentam
A s façanhas do rapaz,
U m monarca valoroso
R einando sobre os demais,
E ternizado na história,
L evando seu nome à glória
I ndo colher na vitória
O s frutos da Santa Paz.

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