Sobra Patativa do Assaré: entrevista

por aderaldo

O centenário de Patativa do Assaré foi comemorado em alguns lugares e por alguns órgãos. A TV Brasil, pelo programa De Lá Pra Cá, deu sua contribuição aos festejos com um programa dedicado ao poeta cearense. Fui um dos entrevistados. A entrevista está abaixo:

Infelizmente ainda reside uma certa miopia em alguns setores acadêmicos que teimam em ignorar a contribuição poética oriunda das classes pobres. Daí serem, os chamados “poetas populares”, alijados de qualquer evento produzido pelas elites, salvo quando querem dar uma de filantropas. É triste.

Poetas cordelistas, todavia, se encontraram em Brasília e construíram um encontro sensacional com a presença do presidente Lula e de estudiosos e amantes do cordel. Estava lá o poeta Rouxinol do Rinaré que nos passou estes versos feitos quando da morte do Patativa:

PATATIVA DO ASSARÉ
DEIXA O NORDESTE DE LUTO

Que dura realidade
A morte se encheu de orgulho
Marcando o oito de julho
Como o dia da saudade
Aos noventa e três de idade
O poeta deixa a vida
Patativa que na lida
Foi guerreiro resoluto
O nordeste está de luto
Por sua triste partida.

Alçou voo o Patativa
Deixou choroso o nordeste
Foi para a corte celeste
Na angelical comitiva
Sua poesia viva
Jamais será esquecida
Na sua Assaré querida
Não há um só olho enxuto
O nordeste está de luto
Por sua triste partida.

O defensor dos roceiros
Rompeu o sagrado véu
Foi recebido no céu
Na corte dos violeiros
Gonzaga e mil sanfoneiros
Vieram dar-lhe acolhida
Na terra a voz dolorida
De todo o povo eu escuto
O nordeste está de luto
Por sua triste partida.

Adeus poeta do povo
“Inspiração Nordestina”
Com tua lira tão fina
Quem nos cantará de novo?
No meu versejar promovo
Com a pena comprometida
Eu quero uma estátua eguida
Deste poeta matuto
O nordeste está de luto
Por sua triste partida.

Cessou toda melodia
Assaré emudeceu
O Patativa morreu
Abalou-se a poesia
A noite triste surgia
Com o manto da despedida
Curvou-se a musa sentida
Num silêncio absoluto
O nordeste está de luto
Por sua triste partida.

Nas asas da esperança
Ultrapassou a fronteira
Além-pátria brasileira
É estudado na França
Em Assaré por lembrança
Há uma casa erigida
No céu recebeu guarida
Descanso em absoluto
O nordeste está de luto
Por sua triste partida.

Sinto uma lágrima cair
Em cima de minha arte
Não vejo em nenhuma parte
Mais “um verso se bulir”
Foi Deus quem quis se servir
Da poesia mais lida
Da voz que foi tão ouvida
Nem um som sequer escuto
O nordeste está de luto
Por sua triste partida!

Ao saudoso menestrel
Patativa do Assaré
Rouxinol do Rinaré
Faz homenagem em cordel
Pela musa mais fiel
Minha mão foi conduzida
Com a face umedecida
Eis ao mestre o meu tributo
Pois também estou de luto
Por sua triste partida!

Rouxinol do Rinaré

Alguns comentários que me chegaram por e-mail:

“… estou colocando em uma das páginas mais vistas de Blocos (com quase 50.000 páginas on line). É só clicar no link abaixo:
http://www.blocosonline.com.br/literatura/servic/sernotic.php#informacoes
Leila Mícolis

“Sua entrevista sobre Patativa do Assaré esteve ótima. Desenvoltura, empatia para com as coisas aqui de nós, sensibilidade e inteligência respondem pelo seu perfil de cantador e poeta cangaceiro.”
Hildeberto Barbosa Filho


“eu vi no dia mesmo, aderaldo, parabéns!”

Elaine Pauvolid

“Aderaldo, vi a reportagem e não sabia que você tinha intimidade com o violão… Parabéns.”
Antonio Gouveia

“Vi ontem a noite a apreciei bastante a tua intervenção.
Parabéns e, finalmente, conheci o prof. Aderaldo…
Gostei!!!”

Kydelmir Dantas

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