Cordel em tempos de guerra

por aderaldo

1.
Em tempos de retomada de território, a brigada do cordel deve se situar entre a bala e o ballet, entre o fuzil e o fusilli, entre o militar e a militância, entre o estilhaço e o estiloso, entre o coronel e a coronária, entre a intelligentzia e a inteligência, entre o preso e o prazo, entre o Beltrame e o Belchior.

2.
O cordel consolidou-se como o principal traficante poético do Brasil: ensanguentou Suassuna na Pedra do Reino, desovou Zé Lins nos labirintos do canavial, cegou Raquel de Queiroz com um copo de água gelada, expulsou João Cabral da casa de Sivirino e recentemente jogou Glauco Mattoso de uma catarata.

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