O Cachorro dos Mortos, de Leandro Gomes de Barros

por aderaldo

Imaginem um crime brutal no qual três irmãos de uma mesma família são assassinados, levando a mãe a morrer em estado de choque e o pai a enlouquecer e também falecer desesperado e vário. Agora, imaginem que essa brutalidade foi praticada tendo como testemunha o fiel cachorro da família. Imaginem, ainda, que o crime ficou sem solução por quatro anos, mesmo cumpridas todas as diligências e tendo sido mobilizadas todas as autoridades do estado da Bahia. Coloquemos o nome do cachorro de Calar. Pois bem, meus amigos, é esse o argumento de O Cachorro dos Mortos, clássico entre os clássicos do cordel brasileiro. As autoridades literárias de plantão não o leram, os professores não o adotaram nos cursos de Letras do país, os críticos literários de vanguarda sequer sabem do que se trata, a mídia o ignora, as igrejinhas acadêmicas reunidas em Paraty alheiam-se a sua importância, mas o romance escrito por Leandro Gomes de Barros surpreende há aproximados 100 anos, best seller que é. Creio mesmo que a maioria de meus amigos aqui no Facebook não o conheça, mas não será por falta de aviso. Estive trabalhando no estabelecimento do seu texto a partir das dezenas de edições sucedentes. Desde a de Pedro Batista, já anotada e modificada, até à da Editora Luzeiro (cuja capa reproduzo), passando pelas de João Martins de Ataíde e José Bernardo. Continuarei estudando esse cordel, exemplo de história na qual a natureza denuncia o criminoso. Tentarei em breve lançar uma edição definitiva, com texto estabelecido e suas variantes.

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